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Engenharia é muito cálculo? Um engenheiro conta a real

20 de agosto de 2026 · por André Zorzenon

Quando ingressei na engenharia, não imaginava que haveria tantos cálculos. Me espantei com o volume e a dificuldade deles. Mas aí você me diz: "Mas André, não é óbvio que engenharia teria uma alta gama de cálculos para se fazer?" Pois é, mas eu não imaginava que fossem tantos assim.

Quando você entra num curso de engenharia, não há tapinha nas costas, nem aquele professor que pega na sua mão e te ensina o beabá dos cálculos. Muito pelo contrário: é conteúdo em cima de conteúdo, cálculo em cima de cálculo, uma gama imensa de exercícios e mais uma série de outras matérias para você acompanhar junto. E quando você imagina que os cálculos acabaram, chega a física, a química, os laboratórios aplicados, a estática, e por aí vai. O choque é imenso, tudo de uma vez só, sem nem pestanejar.

O momento em que pensei em desistir

Como nunca fui um exemplo em matemática, e também nunca gostei muito dela, esse início foi bem desafiador. Houve momentos em que pensei que não fosse conseguir e, em especial num deles, cheguei a pensar em desistir do curso. Isso só não aconteceu por causa do apoio dos meus pais e dos amigos de curso. E foi nesse momento que tomei uma decisão: eu ia terminar o curso e me formar em engenharia de produção.

Fazendo as pazes com a matemática

Então passei a estudar muito mais e com mais afinco e, por incrível que pareça, comecei a tomar gosto pela matemática. Ou melhor, talvez tenha passado a entender a importância dela para um engenheiro, e também para a vida.

Reconheço: há muito cálculo. No mínimo quatro matérias são especificamente voltadas a isso (a depender da matriz curricular do curso) — física, química, álgebra, expoentes, equações, derivadas, integrais, mecânica dos sólidos, mecânica dos fluidos, ciência dos materiais, e por aí vai.

Sem matemática, não existe engenharia

É bem cansativo, exaustivo, mas necessário para uma função que exige grande responsabilidade. Sem a matemática, não haveria engenharia. O cálculo é a base fundamental para os engenheiros, que precisam de precisão, mensuração, dimensionamento, proporções — e precisam fazer tudo isso com extrema assertividade, porque, senão, as consequências podem ser drásticas para a sociedade. Precisamos dela para fazer nossos projetos e exercer nossa função de forma completa e magistral. Sem ela, eu não seria engenheiro.

Um conselho para quem sonha em ser engenheiro

E fica aqui uma dica para quem ainda está no ensino fundamental ou médio e sonha em cursar engenharia: não deixe a matemática para depois. Se dedique a ela desde já, treine o raciocínio lógico, não tenha medo de errar e de perguntar, e construa uma base sólida ano após ano. Quem chega na faculdade com essa bagagem sofre bem menos com o choque que eu descrevi aqui. A matemática não precisa ser sua paixão de cara, mas quanto mais cedo você fizer as pazes com ela, mais preparado e tranquilo será o seu caminho até virar engenheiro.

Sobre o autor

André Zorzenon, engenheiro de produção
André Zorzenon

André Zorzenon é Engenheiro de Produção, docente de Logística e especialista em Lean Manufacturing, com uma carreira desenvolvida desde a base operacional (estoque e PCP), passando por áreas como planejamento, logística e atuação em campo — atuando como elo entre planejamento e execução, com experiência em organização de operações, gestão de recursos, monitoramento de cronogramas e análise de indicadores.

Também atuou como representante comercial B2B, com ampla experiência em campo, gerenciamento de carteira de clientes, planejamento de rotas, monitoramento de pedidos e interação entre clientes, operação e logística. Essa vivência consolidou sua perspectiva prática em relação à execução, prazos, limitações operacionais e tomada de decisões em contextos descentralizados.

Como docente, ensina Logística e disciplinas relacionadas no ensino técnico, utilizando princípios de planejamento, gestão de operações e aprimoramento contínuo. Tem um perfil analítico, organizado e focado na eficiência operacional, com habilidade para trabalhar de forma integrada entre as áreas técnica, operacional e comercial.


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